Conhecer nossas vulnerabilidades
14/09/2020

Conhecer nossas vulnerabilidades e como enfrentá-las

Priscila Belinschi

  • Conhecer nossas vulnerabilidades e medos é o primeiro passo para tomar atitudes mais ousadas e corajosas
  • Enfrentar a vergonha e o medo nas pequenas situações do cotidiano pode ajudar a construir a segurança necessária para adotar atitudes mais corajosas no trabalho
  • Mudar demanda coragem, mas mudança, inovação e criatividade nascem de situações de desafio e novidade
  • A coragem é uma característica que pode ser desenvolvida através do autoconhecimento.

A palestra sobre coragem e vulnerabilidade apresentada pela pesquisadora Brené Brown no Ted Talk em 2010 se tornou um fenômeno na internet e hoje já contabiliza 48 milhões de visualizações. Por 20 minutos, ela falou sobre seu trabalho estudando as conexões humanas, as relações de medo e vergonha.

O que muita gente não sabe e que ela relatou em outras falas que vieram depois dessa é que, ao fazer aquela palestra, Brené estava se sentindo incrivelmente assustada e vulnerável. E, embora este tenha sido um momento difícil, ela diz que ter se colocado naquela posição transformou completamente sua vida. 

Nem todo mundo vai se tornar a Brené Brown de sua área, mas, como  diz a pesquisadora em um ponto de seu Ted Talk, “vulnerabilidade é o berço de inovação, da criatividade e da mudança. Criar é fazer algo que não existia antes. Não há nada mais vulnerável do que isso”.

Adotar uma atitude corajosa pode contribuir para construir uma imagem pessoal e profissional de uma pessoa que não tem medo de se arriscar – ainda que sejam riscos calculados. 

Conhecer nossas vulnerabilidades é desconfortável

Entender a importância de encarar as próprias vulnerabilidades não significa que você precisa se colocar diante de 500 pessoas e fazer uma palestra que será publicada no Youtube. 

Para a pesquisadora, é possível desenvolver a coragem para encarar essas situações desafiadoras mesmo nos níveis mais básicos e nas cenas mais cotidianas, e isso ajuda a construir a confiança para ousar mais em instâncias mais significativas e impactantes. 

Por exemplo: você utiliza o mesmo caminho todos os dias para ir para o trabalho? Quantas vezes você ousou tentar outros trajetos? Ou fazer um pedido para o jantar em um restaurante diferente dos seus favoritos? Ou ir para a cozinha tentar preparar uma receita nova e difícil?

Mesmo que o caminho seja mais longo, a qualidade da comida neste novo restaurante não seja a esperada e que a sua receita não saia tão saborosa quanto você gostaria, você tentou, e aprendeu algo. Algo que poderá ser utilizado nas próximas vezes em que for tentar. Toda tentativa gera conhecimento, e conhecer suas próprias fragilidades é uma forma de evoluir.

No campo profissional, encarar seus medos e vergonhas pode começar com passos simples: adicionar no LinkedIn uma pessoa que você admira profissionalmente e de quem tem vontade de se aproximar, mas não o faz por vergonha ou medo da rejeição. Ou, ainda, retomar o contato com um antigo colega de quem se afastou e perguntar “como vai você?”.

Começar a enfrentar o medo em pequenas doses contribui para conhecer quais são suas vulnerabilidades e desenvolver a coragem para enviar um currículo para aquela empresa com a qual você sempre quis trabalhar, mas não se sentia preparado. 

Ou então para tomar atitudes mais ousadas no dia a dia profissional que possam trazer novos projetos ou ganhos para a empresa, por exemplo. Aliar planejamento, preparação e coragem para encarar suas vulnerabilidades coloca você mais perto da carreira de sucesso que deseja.

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