nova geração de líderes
14/09/2020

Como será a nova geração de líderes?

Priscila Belinschi

Todos os dias lemos que posições de liderança de grandes corporações estão sendo ocupadas por profissionais cada vez mais novos. Sabemos que essa  mudança de gerações é um aspecto inerente à vida humana, mas, falando de mercado de trabalho, como essa realidade é modificada pela nova geração de líderes? 

Uma pergunta frequente nas organizações é: como será a liderança das novas gerações? Crescidos em um mundo com tecnologia abundante, as gerações y e z ocupam cada dia mais funções de liderança, principalmente em empresas de tecnologia e inovação. As startups ofereceram também uma oportunidade para que os “caminhos” de carreira se alterassem e para que os profissionais chegassem a níveis de diretoria e C-level mais rapidamente. 

Sabemos, por exemplo, que até 2030 os millennials corresponderão à aproximadamente 75% da força de trabalho. E a lógica por trás do trabalho desses profissionais é, consideravelmente, diferente daqueles que os antecederam.  Se atentar às novas gerações é interessante para todos, entender como pensam e se comportam é essencial para compreender o cenário do mercado de trabalho daqui em diante. 

Características dos novos líderes

A pesquisa “The real story behind Millennials in the workplace” do IBM Institute for Business Value, comenta que os millennials são a geração que mais estudou até então. Além disso, são os primeiros nativos digitais a ocuparem cargos de liderança. Esses e outros aspectos são essenciais para entender algumas das características mais fortes desses profissionais.  

A primeira delas é que não estão focados apenas em sucesso ou até mesmo em realização pessoal, mas em gerar impacto positivo. Essa nova geração de líderes entende que é necessário colaborar com o “todo”, proporcionando bons resultados para a organização, para a carreira de seus liderados e para o mundo. Entendem que ter propósito por trás do que fazem é essencial.  

Na conflituosa dúvida entre ser chefe ou líder, as novas gerações preferem, sem dúvidas, a segunda opção. Se preocupam em ajudar os membros do time a prosperarem, tanto coletiva, quanto individualmente.  Mais subjetivamente, são líderes e profissionais mais humanos, preocupados com inclusão e mais à vontade em ambientes de diversidade. 

Colaboração

Viver em comunidade é natural para as novas gerações e, por isso, entendem que o trabalho em equipe é essencial para um time. Maior abertura com aqueles com quem trabalham é primordial para que as relações fluam. 

Principalmente os millennials prezam pelo compartilhamento de ideias, escutam aqueles à sua volta e procuram resolver problemas em conjunto.  

Outro ponto chave da liderança das novas gerações é a descentralização da tomada de decisão, atribuindo mais confiança e autonomia para os bons talentos de suas equipes. 

Transparência

A transparência é também um dos pilares desse estilo de liderança. Cada vez menos vaidosos e mais humildes, reconhecem seus pontos fortes, mas também seus pontos de melhoria, compreendendo que se atualizar e se aprimorar constantemente é essencial. 

Procuram cada dia mais autoconhecimento. Gostam de serem tratados justamente, de serem ouvidos e de ouvirem sempre a verdade. 

Mudanças

As novas gerações são, em geral, mais abertas às mudanças e mais flexíveis ao se depararem com cenários novos ou desafiadores. Por isso se encantam por diferentes áreas ou funções ao mesmo tempo.  As transformações digitais são as mais bem recebidas, uma vez que essas gerações cresceram com esse tipo de mudança ocorrendo frequentemente.  

Por outro lado, a curta permanência em determinados trabalhos ou funções pode ser um problema. Curiosamente, também de acordo com a pesquisa “The real story behind Millennials in the workplace”, 47% da geração x deixaria o emprego atual por outro que oferecesse mais dinheiro ou ambiente mais inovador, denotando preocupação em acompanhar os novos tempos. 

Mudando de organização constantemente, se torna mais complicado manejar o tempo hábil para “treinar” ou preparar um profissional para assumir cargos de liderança mais adiante. 

Afinal, como preparar a próxima geração de líderes?

A pesquisa “The Average Number of Years at Tech Disruptors and Titans, da Paysa, mostra que a média de tempo de permanência dos funcionários em algumas das maiores empresas de tecnologia é extremamente baixo. 

No gigante Google, por exemplo, a média é de um ano e dez meses, assim como na Microsoft, com a média de um ano e nove meses. Levando em conta esse curto tempo de permanência dos novos profissionais nas empresas, é primordial que as organizações se atentem aos funcionários mais talentosos e com maior potencial, dessa forma novos e bons líderes vão sendo formados. 

Uma vez que a liderança das novas gerações de líderes segue outros “modelos”, liderá-los e prepará-los de forma eficaz também tem suas particularidades.  É importante entender que não necessariamente esses profissionais estão atrás de status ou de alguma posição específica, mas de responsabilidades e de oportunidades de colaborar com a organização. 

Ainda pensando sobre transparência, sentem-se seguros quando compreendem as possibilidades de crescimento dentro da empresa e quando percebem que há planos para seu potencial.  

Além disso e talvez o mais relevante: os millennials valorizam reconhecimento, precisam de aprovação constante, além de apoio e mentoria de seus líderes diretos. Fazê-los sentir parte do todo, reconhecendo seu esforço é passo importante na jornada de treinar bons líderes. 

Em suma: dê metas mensuráveis e desafios, mostre o caminho, mas deixe-os trilhá-lo sozinhos. Adaptando-nos a algumas dessas características das novas gerações, com certeza teremos excelentes profissionais e líderes.

Texto publicado originalmente no site da Proposito/TRANSEARCH.

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