04/05/2021

Saúde mental em tempos de home office: ter empatia com o próximo e consigo mesmo é essencial

Priscila Belinschi

Você começa a trabalhar, e imediatamente alguém da família faz uma pergunta, o interfone toca, o vizinho inicia uma reforma, os cachorros da rua começam a latir. Quando finalmente as coisas se aquietam, está na hora de preparar o almoço. E assim, passou uma manhã inteira e você não fez nada. 

Ficar sem tirar os olhos do WhatsApp e espiar a cada 15 minutos o Instagram e o Twitter também não contribui com a produtividade. Sem prioridades definidas e sem foco nas atividades, ao fim de um dia trabalhando em casa, você estará muito mais cansado do que o normal e com aquela terrível sensação de que não finalizou nenhuma das suas tarefas. 

O home-office já era uma tendência contemporânea do trabalho, ganhou força com o isolamento social durante a pandemia de coronavírus e, aparentemente, veio para ficar. Este formato pode ser extremamente vantajoso. No entanto, também pode tornar os dias mais pesados e estressantes, se mal utilizado.

Como fazer com que o home office seja produtivo e não prejudique sua saúde mental? A palavra-chave é: disciplina. O estereótipo do chefe que fica atrás dos funcionários o dia inteiro fiscalizando as atividades não existe em casa. Ali, o único “fiscal” da sua lista de tarefas é você mesmo. 

Primeiro, estabeleça limites entre o particular e o corporativo. Isso inclui criar uma ambientação adequada, ergonômica e confortável, bem iluminada e arejada. Idealmente, o escritório em casa é, de fato, um escritório, ou ao menos um lugar onde se possa criar um refúgio, de forma que, ao entrar neste cômodo, você consiga treinar seu cérebro para “virar a chave” do começo do expediente. 

Essa separação espacial também ajuda a educar os familiares ou outras pessoas com quem se divide o lar a respeitarem seu horário de trabalho e para que, enquanto você estiver trabalhando, evitem interrupções..

Defina horários e deadlines – e cumpra-os! Se o seu expediente vai do horário x ao y, esse intervalo deve ser respeitado. Não significa que a rotina de home office não possa ser flexível – afinal, esta é justamente uma das vantagens prometidas por este modelo. O problema é que, quando se usa o horário de trabalho para atividades da casa, da família ou até mesmo de lazer, o expediente acaba se estendendo e invadindo o período de descanso.

Aquela maratona na Netflix pode esperar, acredite. Caso contrário, as fronteiras entre uma coisa e outra se diluem e, quando menos esperar, você estará pensando e se sentindo culpado pelas pendências do dia durante seus momentos de folga. Assim, nem trabalha, nem descansa direito.

Se autoavalie e conheça sua produtividade. Se você rende melhor em um determinado horário do dia, reserve esse período para as tarefas mais difíceis.

Desativar as notificações de email e Linkedin durante determinadas horas do dia também é uma ação prática e eficiente. Poucas coisas que chegam por email são urgentes o suficiente para que você precise responder fora do expediente. Se for uma emergência, o telefone vai tocar. 

Mas como desapegar e desenvolver a disciplina necessária para respeitar esses limites? Educando a mente e o corpo para tanto. Essa é uma das vantagens de adotar práticas como o Yoga e a Meditação

Além de funcionar quase como um substituto para a ginástica laboral, fornecendo o alongamento que é necessário para quem passa o dia todo em casa na mesma posição, o yoga fortalece a musculatura lombar  e combate as dores na coluna, melhora a resistência e a flexibilidade e, acima de tudo relaxa e reduz a ansiedade, porque obriga o praticante a respirar adequadamente e esvaziar a mente.

A meditação complementa o yoga nesse sentido. Segundo um estudo de 2015 da Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, em oito semanas de prática, a meditação já apresenta resultados evidentes na melhora da qualidade de vida, redução de estresse, alivia casos de depressão, melhora o sono e o nível de atenção.

Com a adoção dessas práticas e a autoeducação, fica mais fácil se disciplinar e garantir que o home-office traga mais qualidade de vida, ao invés de tornar a rotina profissional mais estressante. 

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